O processo psicoterapêutico

 

Meu trabalho parte do reconhecimento de que conflitos, sofrimento e dúvidas são parte inevitável da experiência humana. Em alguns momentos, no entanto, essas circunstâncias podem tornar-se excessivas ou paralisantes, mais pela postura rígida que muitos adotam como meio de enfrentá-las ou mesmo evitá-las.

 

O processo terapêutico busca ampliar as formas de adaptação, o que não significa resignar-se, mas desenvolver uma postura mais flexível diante da própria realidade. Isso envolve revisar crenças e atitudes que deixaram de ser úteis por se mostrarem impraticáveis e limitantes diante do cenário que é dado e construir uma relação mais gentil e funcional consigo mesmo.

 

Nesse contexto, o foco não é receber respostas prontas, mas em encontrar auxílio para resgatar um conceito mais profundo e estável de si mesmo — para além de regras mentais ou narrativas fixas — e identificar valores coerentes, viáveis e de livre escolha, os quais dão direção e sentido à vida, mesmo diante de dificuldades e desafios.

Esse auxílio é oferecido de forma ativa, respeitosa e colaborativa, considerando os aspectos físicos, psíquicos e funcionais que definem a pessoa como um todo: experiências ao longo da vida, relações interpessoais, afetos e potencialidades. Acredito que um olhar com esse direcionamento integre a minha formação médica e psiquiátrica à de psicólogo e psicoterapeuta, possibilitando um cuidado em saúde mental amplificado e com múltiplos focos de atenção.

 

Abordagens e técnicas psicoterápicas

 

Num contexto mais técnico, minha prática é inspirada principalmente pelas chamadas terapias contextuais ou de terceira onda, com destaque especial, mas não exclusivo, para a Terapia de Aceitação e Compromisso e a Terapia Focada na Compaixão. Trata-se de abordagens extremamente atuais, sustentadas por evidências científicas sólidas e em diálogo estreito com áreas como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), as teorias do comportamento e a neurociência afetiva.

 

Para tanto, vale-se de um convite gentil a olhar não apenas o sofrimento em si, mas o contexto em que surge, ampliado por questionamento socrático, mindfulness e técnicas de regulação emocional. Com o progresso da psicoterapia, essas referências se combinam para despertar uma postura consistentemente ativa, dinâmica e transformadora, voltada para uma vida mais consciente, flexível e alinhada com o que mais importa.